Esta é minha oportunidade de te ajudar a entender e conhecer um pouco da pessoa por trás deste site e como cheguei até aqui. Eu sou uma mãe de quatro, avó de cinco e uma “empreendedora acidental”, que teve a chance de juntar uma grande paixão com uma carreira profissional. Eu sou um livro aberto. Como resultado, este “sobre mim” é um pouco longo e bastante pessoal. Vamos lá!

Chegada ao Brasil

Cheguei ao Brasil com minha família aos 16 anos de idade e fui morar em São Paulo/SP, pois meu pai trabalhava para uma empresa francesa, a Simca. Estudei no “Lycée Pasteur“, uma escola francesa. Casei com um brasileiro quando eu tinha 18 anos e, aos 26, eu já tinha quatro filhos.

Durante a minha primeira gravidez, quando eu tinha apenas 18 anos e nenhuma família no Brasil, pois meus pais tinham voltado para a França, procurei um curso para gestante. Não existia ! Achei estranho pois na França toda gestante faz o curso da maternidade onde vai ter seu bebê. Aliás, quando eu perguntava para as pessoas onde podia encontrar um curso preparatório, todos arregalavam os olhos sem entender o que eu queria e eu achava que não me entendiam por que eu ainda não falava corretamente o português!

Acabei encontrando um médico que tinha um curso só para suas pacientes dado por uma psicóloga, a Martha Zanetti. Gostei muito do curso e do médico, Dr. Noronha, com quem tive meus quatro filhos. Foram 3 partos naturais e uma cesariana. Com 21 anos tinha 3 filhos!

Quando todos estavam na escola, entrei na faculdade Paulista de Medicina e cursei o primeiro ano no final do qual descobri que eu não queria ser mais uma médica amarrada por um monte de regras e percebi o fosso que existia entre médico e paciente. Eu queria era preencher este espaço!

Depois disso, fomos passar uma temporada no França e eu descobri a profissão de “Sage femme“! Me entusiasmei e me formei! Esta formação na França é um curso técnico de dois anos que habilita a profissional a cuidar de bebês, realizar partos e etc. Mas, mesmo formada, eu ainda não havia me encontrado totalmente como profissional.

O curso Prepar em Volta Redonda/RJ

Algum tempo depois, voltei para o Brasil com a família e fomos morar em Volta Redonda/RJ. Lá, conheci uma pediatra maravilhosa, a Dra. América Bravo, que tinha uma visão muito parecida com a minha e, juntas, abrimos o primeiro curso “Prepar“ em 1979.

Alugamos uma casa no centro da cidade que montamos com carinho e que passou a ser um ponto de encontro para gestantes e mães. Havia aulas sobre parto comigo, sobre o bebê com a América e dinâmica de grupo com uma psicóloga, a Dra Faride. Nós não ganhávamos quase nada, mas éramos felizes!

Durante dez anos, fui levando o curso “Prepar” com entusiasmo apesar da dificuldade do meu marido em aceitar meu trabalho. Ele achava que ganhava dinheiro suficiente e que eu não precisava trabalhar, principalmente ganhando tão pouco. Ele tinha muita dificuldade em entender que meu ganho principal não era financeiro!

Associação de Proteção à Maternidade e Infância em Volta Redonda/RJ

Nesta época, ainda em Volta Redonda, juntamos um grupo de voluntários para montar a APMI (Associação para Proteção à Maternidade e Infância). A única coisa que recebemos para criá-la foi um terreno da prefeitura para a construção da estrutura. O resto era tudo por nossa conta.

Metemos a mão na massa e levantamos o espaço. O local era uma casa com uma creche, dois consultórios e um salão de festa. Quando inauguramos o espaço, a creche era tão perfeitinha que cheguei a ouvir o seguinte absurdo: “que desperdício uma creche tão bonitinha pra criança pobre… podia ganhar um dinheirão com criança rica”.

A gente usava o salão para realizar festas que financiavam a creche. Não dependíamos de dinheiro público e nem queríamos depender. Éramos independentes e quando aparecia vereador em época de eleição querendo tentar tirar algum proveito da gente, nós os colocávamos para correr.

Até mesmo o setor privado que ajudava a associação tinha restrições. Havia, por exemplo, um açougue e uma padaria que mandavam produtos pra gente, mas a regra era que essa ajuda não podia estar vinculada a menção dos estabelecimentos. A ajuda tinha que ser absolutamente anônima.

O espaço funcionava da seguinte maneira: a gente cuidava de 100 famílias por ano. O critério era a mulher estar grávida ou com bebê pequeno. O objetivo era colocar a família nos trilhos e deixá-la voar para poder ajudar mais famílias, e não ficar com as mesmas para sempre.

Divórcio e muitas mudanças na minha vida

Depois de 25 anos de casamento nos divorciamos! Não aceitei pensão (maldito orgulho ferido!!!) e, para sustentar meus quatro filhos, fui embora para o Rio de Janeiro onde trabalhei durante dois anos numa agência de turismo organizando viagens no Brasil para grupos franceses especiais, como equipes de fórmula 1 e viagens na França para pessoas classe AA que queriam algo diferente.

O começo foi difícil, mas depois de um tempo ganhei dinheiro suficiente para me equilibrar com os quatro filhos. Nesta época, conheci meu segundo marido, um francês, e fui morar na França com ele levando a filha mais nova que tinha 14 anos (os outros já estavam voando sozinhos).

Durante 3 anos fiz vários cursos mas não trabalhei. Vinha de vez em quando para o Brasil para ver meus filhos e matar a saudade. Aí aconteceu uma ruptura na minha vida: tive um acidente e fiquei com uma perna paralisada.

Fui operada em Paris e fiquei internada cinco meses fazendo reeducação. Foram cinco meses de muita luta mas, também de reflexão e foi aí que tomei a decisão de retornar ao Brasil e voltar e me dedicar, não importando o que custasse, ao meu trabalho com gestantes. O turismo me dava dinheiro, mas não me realizava!

Quando conheci Frederick Leboyer e como isso mudou a minha vida

Foi nesta época também que eu conheci meu guru profissional: Frederick Leboyer. Ele foi muito importante na minha vida profissional, pois mudou totalmente a minha trajetória (mais sobre o Dr. Leboyer pode ser visto aqui)

Minha formação acadêmica e meu trabalho, até então, giravam em torno do parto e da gestante: minha preocupação era lutar contra o excesso de cesarianas convencendo as mulheres que o ideal era o parto normal, que na época era como o parto natural já que não existia analgesia.

Eu li o livro dele e ele me tocou profundamente! Correspondia ao que eu sentia e pensava. Eu me senti compreendida! Foi uma revelação! A mulher, gestante ou mãe, e o tipo de parto, nada disso era tão importante quanto o bebê que eu, até então, colocava em segundo plano.

Eu tinha que encontrar este médico que tinha me impressionado tanto! E consegui! Ele me recebeu em seu apartamento em Paris, vestindo uma túnica branca e me corrigiu quando o chamei de “doutor”, pois ele acabara de devolver seu diploma de medicina para o conselho local, não querendo mais pertencer a esta classe que o estava atacando.

Conversamos muito e eu o acompanhei em vários partos feitos por um colega, mas onde ele acompanhava o bebê junto do pediatra e me dei conta de como a acolhida do bebê modificava o comportamento dele nos dias que se seguiam! Foram 15 dias de convívio diário que mudaram minha visão deste momento incrível que é o nascimento de um ser humano.

Durante anos mantivemos o contato. Ele se mudou para Londres, escreveu vários livros, foi reverenciado e aplaudido durante muitos tempo e seu diploma foi devolvido, se reconciliando com a medicina francesa. Ele me orientou muitas vezes por telefone e estive várias vezes em seu apartamento em Londres.

Por causa disso tudo, passei a estudar e pesquisar tudo que se descobria a respeito do bebê. E fiquei muito entusiasmada!

Retorno para o Brasil e início dos meus cursos

Me separei de meu segundo marido e voltei para o Brasil de colete, bengala (ainda me recuperava da cirurgia feita em Paris) e praticamente sem dinheiro.  Morei uns tempos com minha caçula no apartamento emprestado por um amigo em Copacabana. Ele estava fechado havia muito tempo e tivemos que fazer uma boa faxina. Ali montei o curso na sala com um tapete e almofadas. Mandei também fazer folders que íamos distribuindo em lojas, feiras etc…

A minha primeira turma foi montada em 1996 com dois casais que ficaram sabendo do curso por causa da panfletagem. Então as coisas foram acontecendo, o boca a boca começou a funcionar cada vez mais, e os alunos foram aumentando.

Todo dinheiro que ganhava era usado para melhorar o curso e eu procurava não tirar quase nada para mim! Foram anos difíceis! Mas, aos poucos, minha perna foi melhorando e acabei finalmente de usar as bengalas um ano depois de chegar no Brasil.

Seis anos depois eu já tinha turmas lotadas de segunda a sexta, além de acompanhar os partos e o bebê até um ano de idade que é o que faço até hoje. Nesta época , além do meu curso só existia um curso dado pela “fadinha“, que dava aula de yoga para gestantes e aula de preparação para o parto, mas seu foco era o parto. O que me diferenciava era o fato de focar no bebê.

Eu também fui a primeira a incluir o pai em todas as aulas e fiz ele se sentir participante em vez de provedor. Hoje existem vários cursos e muitas Doulas (acompanhantes de parto), todos priorizando o parto. Mas eu fico muito feliz quando recebo depoimentos de um pai após ter feito algum dos meus cursos. Alguns destes bonitos depoimentos podem ser vistos aqui.

Nestes quase 40 anos de carreira, mais de 6.000 casais já passaram pelos meus cursos ministrados presencialmente. Alguns destes casais com pessoas famosas como Wagner Moura, Alinne Moraes, Paula Braun, Mateus Solano, Marisa Monte, Miá Melo, Teresa Cristina, Evandro Mesquita, Pedro Bial, Vanessa Loés e Thiago Lacerda, dentre tantos outros, além de anônimos como você e eu.

Em 2015 lancei meu livro “Nasceu …e agora ?“. Considero meu livro como um primeiro passo para atingir os casais que não podem vir até meus cursos no Rio de Janeiro. Eu sentia a necessidade de atender estas pessoas que não moram na cidade, mas que me pediam orientação sobre como cuidar de seus bebês. Tenho feito palestras em algumas cidades, mas elas não me satisfazem e só criam mais vontade de fazer o curso e a frustração de não conseguir atender a todos que precisam.

Por essas razões, resolvi lançar este novo site e minhas redes sociais no Facebook e no Youtube para poder alcançar o maior número possível de pessoas e passar a elas tudo que aprendi nestes quase 40 anos de carreira.